A fotografia impressa sempre teve um lugar especial no meu coração.
10x15, 15x21… não importa o tamanho. O que importa é que ela esteja ali: no papel, palpável, viva. No álbum para revisitar quando a saudade chegar, no quadro decorando a casa, no porta-retrato à vista de quem entra.
Em um mundo cada vez mais digital, imprimir fotografias parece ter se tornado menos comum. Mas eu sigo acreditando, ainda com mais força, no poder que uma imagem impressa carrega.
Na minha casa, sempre tivemos muitas fotos: álbuns, porta-retratos, quadros… quase faltam paredes para tantas memórias. Mas foi em uma fase muito especial da minha vida que eu senti, de forma ainda mais profunda, a importância da fotografia e o poder de pertencimento que ela pode despertar.
Nossa família cresceu com a chegada de duas estrelinhas lindas, pela via da adoção: Adriele (4) e Isadora (2).
Desde o primeiro momento, usei a fotografia como nossa aliada na aproximação. E foi lindo ver o efeito disso.
Quando recebemos a notícia, a assistente social nos entregou uma montagem com algumas fotos delas. Aquela imagem foi direto para a porta da geladeira, junto com outras lembranças da nossa família que já estavam ali.
Nosso primeiro contato físico aconteceu no fórum. Registramos alguns momentos com o celular, simples e preciosos. Durante a aproximação, nos encontrávamos três vezes por semana. Depois do primeiro encontro, fomos a uma pracinha, como eu havia prometido em uma de nossas conversas. No encontro seguinte, elas foram conhecer a nossa casa.
Quando chegaram, a foto delas já estava na porta da geladeira. Também havia dois porta-retratos com fotos nossas juntas. Imprimi em uma impressora comum mesmo, coloquei em porta-retratos simples, de madeira e plástico, para que elas pudessem pegar, olhar e tocar à vontade.
A reação delas foi inesquecível.
Adriele, a mais velha, ficou encantada ao perceber que elas já estavam ali:
“Essa casa é pra gente. A gente já tá aqui.”
Isadora, que ainda não falava, pegou um dos porta-retratos, abraçou e não largou mais. Levou junto.

E assim seguimos. A cada novo momento, novas fotos. O quarto delas foi sendo montado aos poucos e, antes mesmo dos móveis chegarem, já havia um quadro de cada uma e um quadro da nossa família.
Nossa aproximação foi linda. Houve conexão, amor, construção de vínculo e, acima de tudo, pertencimento. Pertencimento ao lar, à família, aos cantos da casa, ao tão amado quarto. Não tenho dúvidas de que a fotografia nos ajudou muito nesse caminho.

Hoje, mais de um ano já se passou, e a fotografia continua fazendo parte da nossa vida — não apenas como o trabalho da mamãe, mas como memória viva da nossa história.
Elas têm pequenos álbuns com fotos 10x15, onde guardam lembranças de momentos felizes. Elas mesmas escolhem as imagens que vão para o álbum, amam folhear cada página e mostram com orgulho para todos que chegam à nossa casa.

E o meu amor pela fotografia?
Só aumentou.
Posso afirmar: a fotografia vai muito além do registro — ela é vínculo.
Em todos os lares, não apenas nos processos de adoção, a fotografia tem o poder de fortalecer laços, aproximar histórias e criar conexões que atravessam o tempo.
Por isso, imprimir fotos ainda importa.
A fotografia impressa é memória viva, é afeto que se toca, é pertencimento que se constrói no dia a dia. Ela ocupa espaços, conta histórias silenciosas e transforma momentos em presença.
Mais do que imagens, são lembranças que abraçam.
Porque, no fim, a fotografia impressa vira isso: um abraço constante na rotina.
Imprimam suas fotos, criem seus álbuns, transbordem no carinho e afeto.
Bjs Tina